Com a inflação resiliente e os impactos de conflitos no Oriente Médio, o mercado prevê a manutenção da taxa de juros pelo banco central americano; atenções se voltam para o mercado de trabalho e as projeções de cortes.
Os Estados Unidos vão anunciar a definição do próximo ciclo de juros nesta quarta-feira (18) em meio a um cenário complexo que envolve inflação, mercado de trabalho e incertezas devido ao conflito no Oriente Médio.
A expectativa é que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, mantenha a taxa básica de juros inalterada no intervalo entre 3,50% e 3,75% – aposta de 99,1% do mercado, de acordo com a Ferramenta CME FedWatch nesta segunda-feira (16).
Se, na reunião de janeiro, o presidente americano Donald Trump pressionava pela queda do juro, agora a ofensiva militar dos EUA sobre o Irã é o maior vetor da pressão pela manutenção do risco inflacionário em um ambiente em que os preços ainda estão longe da meta.
A manutenção dos juros e o alerta da inflação
Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, destaca que, apesar de alguns sinais, a atividade econômica nos Estados Unidos não demonstra desaceleração tão intensa quanto o esperado para juros tão altos. Já a inflação é considerada incômoda, porque está longe da meta de 2%.
Jorge Ferreira, professor da ESPM e consultor especializado em negócios internacionais, destaca que o mercado de trabalho nos EUA entrou no modo “no hire, no fire” que, na tradução livre, significa “sem contratações, nem demissões”, ou seja, está congelado. “No entanto, o dado de desemprego surpreendeu, mas ainda não está em uma condição que leve o Fed a estimular a economia por receio de um lado recessivo”, avalia.
De olho nos números, o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) avançou 0,3% na comparação mensal em janeiro, registrando uma desaceleração ante os 0,4% de dezembro. Contudo, o “core PCE” (núcleo da inflação), principal métrica perseguida pelo Fed, continuou em 0,4% no mês e acelerou no acumulado de 12 meses, passando de 3,0% para 3,1%.
Andressa Durão, economista do ASA, destaca que as projeções econômicas mais atualizadas apontam para uma inflação mais alta no curto prazo e para o aumento da probabilidade de desaceleração da atividade – o que coloca mais incerteza na condução da política monetária.



